quinta-feira, 25 de agosto de 2011

E no fim das contas, a vida não é sobre ter controle do próprio destino.
É impossível.
A única coisa que podemos fazer é aceitar, e aproveitar tudo que pudermos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Morte

O caminho escureceu logo após o primeiro passo.
Completamente perdido, o rapaz fechou os olhos, pronto para aceitar o seu destino final.


Alguns rostos conhecidos compareceram ao seu funeral.
Ele ouvia suas vozes, mas não tinha forças para falar.
Foi enterrado e esquecido.

Talvez realmente estivesse morto, afinal.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Vida

O vazio doía de novo.
Mas agora ele sabia que deveria aproveitar sua segunda chance.
Já sabia o que fazer, agora só precisava agir.


O caminho estava claro, e não importava mais a distância até o final.
Sabia aonde iria terminar e estava decidido a segui-lo.
Não havia mais muito tempo, mas iria encontrar ao menos o espaço certo.


Os únicos a terem medo da morte são aqueles que já a conhecem.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vidro

I. Oceano

Crepúsculo. Caminhavam os dois pela praia, conversando e dando risada.

Como o vento estava ficando mais forte, resolveram descansar um pouco.
Sentaram-se na areia. Ela admirava o sol poente enquanto ele a admirava.
"Obrigado por me trazer aqui", disse enquanto se curvava para abraçá-la.
"Por favor, não me solte...", pediu.
Mas o vento agora estava forte demais, e ele foi levado através do oceano.


II. Sonho

Madrugada. Acordou o rapaz em sua cama, sem conseguir conter as lágrimas.

Silêncio.
Sentou-se no chão, ao lado de seu sonho despedaçado.
"Por favor, não me deixe dormir...", sussurrou. Mas ninguém ouviu.


III. Areia

Manhã. Recolheu os pedaços de seu sonho para enterrá-los na praia.

Caminhou o dia todo, sem saber qual direção seguir.
O vento começava a ficar mais forte.
Sentou-se na areia, e logo percebeu que havia chegado ao deserto.
Jogou os pedaços no chão e seguiu em silêncio.
"Por favor..." foram suas últimas palavras, uma semana depois.
Seu epitáfio incompleto foi carregado pelo vento através da areia.

domingo, 14 de agosto de 2011

O rapaz acordou atrasado e não conseguiu ver o pôr do sol.
Observou o crepúsculo vazio, dizendo a si mesmo que muitas vezes o céu fica mais bonito quando o sol já se foi. Mas não sabia se era verdade ou se estava apenas procurando algo em que acreditar.

domingo, 7 de agosto de 2011

Sombras

O tempo é relativo. Mas ele passa.
O espaço é relativo. Mas ele sempre existe.
O destino é uma ilusão. Mas ele nunca deixa de iludir.
A esperança é a última que morre. Mas ela não é imortal.
...e na escuridão nada disso importa, pois só existem as sombras.

Espaço

Fazia tempo que o sol não brilhava tanto.
O rapaz contemplava o horizonte pela sua janela, admirado com a mudança repentina do clima, quando uma nuvem começou a se formar acima dele.
O sol continuou a brilhar, mas isso não impediu que a chuva caísse.



A nuvem se desfez pouco antes do crepúsculo.
A noite caíra, e não havia nada que ele pudesse fazer para mudar isso.
O sol seguira seu caminho; e o rapaz sabia que devia segui-lo também.

Mas não conseguia distinguir as sombras em meio à escuridão.

sábado, 25 de junho de 2011

Tempo

Era o primeiro dia do verão.
Os dois garotos observavam os campos verdes pela janela do vagão.
Logo avistaram outro trem, próximo à curva da estrada.
"Como ele passa rápido...", disse um dos garotos.
"Às vezes é o nosso trem que está correndo rápido demais", respondeu o outro.


Dez anos se passaram, e os garotos se encontraram novamente no mesmo trem.
"Você por aqui? Que coincidência!", disse um dos rapazes.
"Pois é, quanto tempo!", respondeu o outro.
"Como ele passa rápido..."


Mas somos nós que passamos rápido demais.

sábado, 11 de junho de 2011

Lua

Era uma noite fria de outono quando o rapaz se apaixonou pela Lua.
Por mais distante que ela estivesse, sua beleza refletida nas águas era o suficiente para prender a atenção do rapaz, que agora passava o dia inteiro pelas margens do rio a admirá-la.
"Deve se sentir muito solitária, estando tão longe do mundo...", ele pensava.
Mas a Lua estava longe demais, e ele simplesmente não podia alcançá-la.


Duas semanas depois, o rapaz voltou às margens do rio.
Mas a Lua não brilhava mais.
"Só pode ser minha culpa... eu não devia ter ido embora", pensou.
O rapaz continuou fazendo companhia para o reflexo da Lua nova, até ela se tornar cheia de novo.
Então um dia percebeu que, independente de onde ele estivesse, a Lua iria passar pelas mesmas fases, devido ao movimento em torno da Terra.
E assim o rapaz seguiu seu caminho.